“Ted 2″

Ted

Verão é sinónimo de “filmes pipoca” cujo principal objectivo é entreter e “Ted 2” não é excepção a esta regra.

“Ted 2” conta com argumento e realização do humorista Seth MacFarlane, à semelhança do primeiro filme da saga, sendo que Seth é também a voz do adorável, mas muito despropositado ursinho Ted.

Neste filme o ursinho Ted casa com a sua namorada Tami-Lynn, que ficámos a conhecer do primeiro filme e após alguns meses de casamento a relação dos dois entra em crise. Para serenar a crise este atípico casal decide ter um filho, situação que só poderia ser conseguida por inseminação artificial, visto que Ted é um urso de peluche. Depois de várias peripécias relativas à escolha do dador de sémen para a inseminação, Tami-Lynn, esposa de Ted, descobre que não pode ter filhos e uma nova demanda por uma adopção é iniciada. Contudo, não só a adopção é recusada, por Ted não ser humano, como se inicia uma verdadeira avalanche de acontecimentos negros para Ted, pois o governo americano não o reconhece como pessoa, embora ele comunique e tenha sentimentos, não passa de um urso de peluche, com um historial de vida duvidoso e um cadastro assinalável. Para resolver o seu problema legal com o governo, Ted decide processar o estado, recorrendo a uma jovem advogada interpretada por Amanda Seyfried. Durante todas as aventuras e desventuras deste ursinho ele é sempre acompanhado pelo seu inseparável amigo John (Mark Wahlberg) e no fim será apenas um bem ou um cidadão americano? Terão de ver para descobrir.

“Ted 2” é um realmente só isso, um “filme pipoca”, capaz de arrancar uma ou outra boa gargalhada, indicado para ver com amigos numa ociosa noite de Verão. O destaque no que a gargalhadas diz respeito vai para uma cena de luta “geek” que ocorre na Comic-Com entre diferentes cosplayers, a cena de luta mais hilariante que já vi.

[Amélie Poulain]

Crítica: “Divertida-Mente” (“Inside Out”)

Inside-Out-Marshmallow

Já imaginaste como seriam essas vozes na tua cabeça se tivessem forma, um corpo? “Inside Out” (“Divertida-Mente”, em Portugal) traz esse conceito ao grande ecrã com mestria, tornando este um dos filmes mais ambiciosos da Disney e da Pixar, quiçá “o” mais ambicioso.

Essas vozes que nos dizem o que fazer e o que sentir são os grandes protagonistas da história, as emoções. Adequadamente denominados Medo, Raiva, Repulsa, Tristeza e Alegria (a líder do grupo), estas vozes estão na cabeça de Riley, um pequena menina que vive feliz, com os seus pais, mas sofre uma drástica alteração na sua vida, quando a família se muda da sua casa, em Minnesota, para São Francisco.

O primeiro acto do filme é perfeitamente eficaz, apresentando-nos Riley, a família e as emoções de uma forma simplista e extremamente inteligente. Uma das maiores forças de “Inside Out” é o seu conceito e a capacidade de o transmitir para o público de uma forma simples e, simultaneamente, inovadora. Mas o filme, realizado por Peter Docter (de “Up – Altamente”), faz mais do que mostrar-nos coisas que já sabemos: ele torna coisas abstractas – como memórias e instintos – em momentos, formas e cores que, não só são visualmente arrebatadores, como também verdadeiros estimuladores intelectuais. Como o próprio título nos diz, trata-se de tornar o que é dado como complexo (a nossa mente) em algo simples e belo.

Por essa razão e, obviamente, pelo entretenimento que esta história muito bem contada propõe, “Inside Out” vai deliciar, sem sombra de dúvida, os mais pequenos. Aos graúdos, deliciar é uma palavra menos adequada. O efeito do filme é bem maior sobre aqueles que já viveram bem mais do que 10 anos. Não chegando perto de ser tão triste como os primeiros minutos de “Up”, esta nova aposta da Pixar trata temas fortes e com os quais todos nos identificamos de uma forma madura e delicada. Este é o seu maior trunfo.

“Inside Out” é um filme a não perder!

Nota: 10/10

◉ HAL 9000 ◉

“PORCILE” (1969)

Mise

“I killed my father, I ate human flesh, and I quiver with joy.”

“Matei o meu pai, comi carne humana e tremi de felicidade.”

Esta é uma das frases marcantes, repetida três vezes inexpressivamente, por um homem prestes a enfrentar a sua condenação, enquanto várias pessoas olham impávidas. Esta é a verdadeira representação daquilo que é “Porcile” (1969) do italiano Pier Paolo Pasolini, alienação, desvios e uma sociedade imperfeita, mas pejada de moralismos e em que aquilo que não se vê nunca aconteceu, sendo importante manter o povo entretido.

A obra de Pasolini é fortemente marcada pela crítica política e social e destaca-se pela forma como choca, como põe a nu imagens e ideias perturbadoras, às quais viramos as costas no dia-a-dia, abraçando uma ideia de sociedade perfeita e definida como normal.

“Porcile” traz-nos duas histórias paralelas, que ocorrem em tempos e cenários diferentes, mas ambas “colocam o dedo na ferida”. O que é normal? O que é macabro? Como lida a sociedade com o diferente?

Uma das histórias leva-nos até a um cenário apocalíptico, uma terra devastada, onde não há praticamente nenhuns sinais de vida humana e vida animal ou vegetal são mesmo inexistentes. Há um rapaz neste nada, que sobrevive daquilo que consegue, inclusive de carne humana, saboreada com a satisfação dos famintos. Há mais como ele e são capturados por soldados, levam-nos até ao padre para que perante a Cruz sintam arrependimento do seu acto grotesco de canibalismo. De seguida, com arrependimento ou não, a condenação divina comandado pela mão dos Homens.

Outra história se intercala com esta. Julian, um jovem, numa família rica, possuidora de indústria dominante no mercado e marcadamente nazi. Julian é um alienado, Julian não compreende todos os propósitos familiares e fica dividido entre os princípios de seus pais e os ideais de Ida, uma jovem revolucionária que nos é apresentada como noiva de Julian. No meio de tudo isto a luta interior de Julian é, ainda, maior e vai além de ideologias políticas, a sua verdadeira luta ocorre com o seu “eu”, pois há uma paixão que o move mais que outras e que o faz ser visto pelos camponeses locais a deslocar-se diariamente até às pocilgas. Esta é a sua paixão e será, também, a sua condenação.

Em suma, temos em “Porcile” um filme pesado, reflexivo, perturbador e inquietante, crítico dos políticos, das políticas e da sociedade inerte que se esconde diariamente sob máscaras, ao bom jeito de Pasolini.

[Amélie Poulain]

Crítica: Tomorrowland

Mais de duas semanas depois da estreia em Portugal de “Tomorrowland”, o filme encontra-se à frente no box office nacional, chegando mesmo a ultrapassar “Mad Max”, que tem levado muitos portugueses às salas de cinema. Excelente sinal do seu sucesso, não fossem os números em si… Maio e Junho nunca são bons para o cinema nacional e infelizmente “Tomorrowland” não alterou isso. O filme tem recebido uma média de 22 espectadores por sessão. E nos E.U.A. a história repete-se de maneira muito semelhante.

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O filme tem a seu favor um realizador oscarizado e uma estrela de cinema como o George Clooney. Mas é um facto que, até ao início desta semana, ainda não tinha sequer coberto o valor do seu custo de produção, ficando longe de cobrir o valor total de custo. Parece que “Tomorrowland” ficou aquém das espectativas no que toca à afluência aos cinemas.

Pode-se tentar perceber onde o filme falhou junto do público: talvez o público-alvo não estivesse bem claro (tentaram criar um filme para crianças acessível aos adultos, mas acabou por acertar um pouco fora de cada um desses alvos) o que levou a falas e partes do argumento pouco credíveis e inverosímeis. A narrativa inconstante centrada mais para a frente na tentativa de salvar o mundo com as bandeiras de “nunca desistir” e “a humanidade precisa de cuidar do seu planeta”, hasteadas e forçadas no público, acabaram por lutar contra o próprio filme.

Ainda assim, apesar não ser um filme perfeito, existem muitas coisas a seu favor e razões para de facto sair de casa e ir vê-lo ao cinema. Visualmente está brilhante, conjugando um estilo futurista e sci-fy de extrema beleza. No seu âmago a moral que partilha com o público jovem é esperançosa e de bons valores, essencial para um filme de família ideal. Para além disso, o filme não se centra apenas em salvar o mundo, também é um filme sobre o amor de infância entre um menino e uma rapariga cyborg, demonstrando o poder que as emoções podem ter.

A Disney correu um risco ao apoiar um projecto original mas, apesar de não ter recebido os frutos, não é de preocupar pois com os filmes Inside Out, Ant-Man e Star Wars ainda a sair este ano, os estúdios vão facilmente recuperar deste desvio. Na verdade, é óptimo que estes riscos ainda sejam feitos pois esperamos da Disney não só o melhor mas também projectos criativos, e para isso não podemos viver só de sequelas, prequelas e afins.

[Princess Mononoke]

Frida (2002)

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Já há algum tempo que tinha na minha lista de filmes a ver o drama biográfico “Frida” (2002) de Julie Taymor. O filme retrata a vida da pintora mexicana surrealista Frida Khalo através da sua pintura e baseia-se no livro “Frida: A Biography of Frida Kahlo” de Hayden Herrera.

Frida sempre foi uma personalidade bastante enigmática para mim, por um lado sofredora, aprisionada na dor do seu próprio corpo massacrado, mas ainda assim com uma enorme força de viver, espelhada na cor intensa da sua obra e do seu vestuário. As suas pinturas são todas elas auto-biográficas, as cores e a dor invandem-nos com uma brutalidade imediata e o filme pegou muito bem nesse aspecto e as pinturas acompanham toda a história, dando a ideia daquilo por que Frida está a passar nos diferentes momentos da sua vida.

O filme foca a vida desta fascinante mulher, representada por Salma Hayek, em todos os seus períodos, desde a juventude rebelde, feliz e irrequieta até ao momento crucial do acidente que lhe muda para sempre a existência. O desenvolvimento das suas capacidades enquanto pintora ocorre na fase de convalescença, pois a sua vida está confinada a um isolamento forçado pela sua condição.

Mais tarde o filme confronta-nos com a vida adulta da pintora, os seus amores e desamores que também foram tempestuosos como a sua arte. A famosa relação conturbada que manteve com o também pintor Diego Rivera ocupa grande parte da acção da película. Alfredo Molina dá corpo ao pintor num óptimo desempenho que agarra o espectador e enche a tela.

A fugaz relação de Frida com Trotsky também é aqui abordada tal como todo o sofrimento físico e consequentemente psicológico que vai sofrendo ao longo de toda a sua vida desde o fatídico acidente.

Frida e Diego traíram-se mutuamente, mas Frida saiu sempre extremamente magoada desta relação, mesmo que não o demonstrasse demasiado abertamente a não ser através das suas telas. Até a própria irmã a apunhalou e Frida era no fundo uma mulher extremamente só que a conduziu a diversos envolvimentos fugazes. Talvez se não fosse toda esta vivência de dor a sua arte não tivesse tido a intensidade que tem e que nos conquista instantaneamente.

Salma Hayek tem aqui uma interpretação bastante apaixonada, sendo que chega a ser difícil distinguir a Salma actriz da mulher que ela é, sendo também ela Frida.

O filme é extremamente visual e um elogia à arte e importa referir que em 2003 foi o distinto vencedor de dois Óscares (Melhor Maquilhagem e Melhor Banda Sonora), estando ainda nomeado a outras categorias incluindo a de Melhor Actriz para Salma Hayek.

[Amélie Poulain]

SOFISMAS – Ciclo Sem Fim

The-Age-of-Adaline-period-postersExistem três premissas que parecem certas na vida: nascer, crescer e morrer. Mas como tudo o resto no cinema, no grande ecrã nem a linha da vida é certa! Não, não estou a falar de imortalidade, ou pelo menos, não somente de imortalidade, estou a falar de histórias diferentes. Histórias que quase parecem passíveis de acontecer no mundo real. Pessoas aparentemente normais mas cujo curso de vida não segue essa linha aparentemente recta sem retorno. Após nascerem não se limitam a crescer para depois perecerem. Vou falar-vos de dois filmes em concreto, em ambos os casos os protagonistas sofrem de uma condição única que o enredo nos mostra como estranhamente plausível.

No “Estranho Caso de Benjamin Button” nasce em 1918 Benjamin, um individuo muito diferente dos outros, em vez de nascer com aparência de bebé, nasce como um velho de 80 anos e à medida que os anos passam, ele vai rejuvenescendo. Em “A Idade de Adaline”, uma mulher que sempre crescera como todas as outras, certo dia deixa de envelhecer e por mais de 7 décadas mantém a sua aparência de 29 anos.

O que têm em comum Benjamin e Adaline? Para além de uma característica facilmente transponível para o mundo real: a marginalização de quem por algum motivo diverge da norma, uma vida passada na sombra, impedindo-os de viver a sua vida normal e (vá, um cliché) estar com quem amam. Ambos trazem um conjunto de “se”: “e se for mesmo possível, por alguma alteração fisiológica alguém deixar de seguir o curso natural das coisas?”, “e se não for assim tão linear, se for possível contrariar a linha da vida, sem contornar a linha do tempo?”…

E se fossemos nós? E se um dia não envelhecêssemos mais e víssemos o mesmo rosto no espelho para o resto dos nossos dias ou pior, este rejuvenescesse a cada dia que passa? Parece idílico mas ao mesmo tempo assustador. A verdade é que a ciência há muito busca a “cura” para o envelhecimento mas sinceramente não me parece que o mundo fosse um lugar melhor se lhe tirássemos a magia do envelhecer. Com a busca incessante pela beleza eterna, descobrindo que melhor do que uma “fonte da juventude” seria causar uma qualquer mudança na fisiologia humana para alterar o efeito do tempo, o Homem estaria mais uma vez no caminho de “jogar aos deuses”, uma brincadeira sempre duvidosa do nível ético. Chamem-me céptica mas se um dia um caso destes se tornasse público, não penso que a ciência olhasse para ele com uma perspectiva de pura curiosidade científica e as suas tentativas de replicação na sociedade em geral, parecem-me a mim um jogo demasiado perigoso.

SOFISMAS – Eles, Robots

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A inteligência artificial não é tema novo no cinema, abundam os filmes futuristas com presença de máquinas pensantes. Kubrick retratou-o à sua maneira em “2001 – Odisseia no Espaço” e deu também uma mãozinha a Steven Spielberg em “A.I. – Inteligência Artificial”. Em “Eu, Robot”, cabe a Will Smith deslindar os mistérios que envolvem o pensamento destas máquinas. “Her”, “Transcendence”, a lista é demasiado longa para ser enumerada…

Recentemente vi o filme, “Ex Machina” (2015) que nos traz uma versão não futurista mas mais contemporânea do tema, de forma extremamente plausível, a possibilidade de nos dias de hoje existir já um protótipo capaz de pensar como um humano, não só em termos lógicos como emocionais. Um robot feminino tão parecido com o ser humano que seria capaz de nutrir sentimentos ou fazer-nos nutrir sentimentos por ele. O filme gira então em torno de uma prova final a este protótipo, o teste de Turing, um teste às capacidades deste mesmo robot: “conseguiremos aperceber-nos que é uma máquina?”, “será possuidor de livre-arbítrio?”, “será ele capaz de conquistar a confiança e até o coração de um humano?”.

Deixou-me a pensar (e como é bom quando os filmes têm esse efeito em nós!). Sabendo as infinitas possibilidades de pesquisa e de armazenamento de dados que um computador tem, se lhe juntarmos ainda a percepção da componente emocional, como poderá ele ficar aquém de um humano? Melhor, como poderá ele subjugar-se e ser um subordinado, se terá claramente capacidades supeiores. Podemos então supor que estamos a criar um “ser” que irá sobrepor-se à nossa sociedade…

Asimov ditou as leis que regeriam os robots e que poderiam contornar o problema, as leis da robótica, incorporadas na linha de pensamento dos robots, que os impediriam de causar dano de qualquer forma a um ser humano e lhes davam o dever de obedecer às ordens por eles dadas. Mas, se todos nós contornamos leis, até que ponto os robots, sendo capazes de pensamento social, não terão livre arbítrio suficiente para as contornar também?

Tudo indica que o futuro caminha na direcção de máquinas com capacidades super-humanas desenhadas para nos ajudar, mas o que as impede de tomar as rédeas da sociedade? Serão aliados ou inimigos?

“Irréversible” (2002)

collage

“Time destroys everything.”

“O tempo tudo destrói.”

Um casal comum apaixonado. Ela descobre que está grávida. Momento de felicidade e paz. Uma saída a dois. Uma festa. Alguns excessos. Ela sai sozinha da festa. A noite violenta esconde muitos perigos. É violada e violentamente espancada. Ele fica destroçado e consumido pela raiva. Sai em busca do agressor. Mata-o violentamente.

Agora imaginem esta história aparentemente banal contada ao contrário, com ângulos de câmara ininterruptos e alucinados, violência física, psicológica e sexual sem qualquer tipo de filtros, tudo em cru, tudo real e palpável e com jogos de luz alucinados, como é alucinada e alienada a nossa sociedade. Aqui temos os ingredientes que fazem de “Irréversible” um dos filmes mais perturbadores e inquietantes que vi até hoje.

Se pesquisarmos na internet por listas de filmes perturbadores vão encontrá-lo recorrentemente e não é de admirar, tudo é tão visual, aliado a contrastes de luz absolutamente agonizantes, um verdadeiro soco no estômago. Há duas cenas fulcrais, a da violação da rapariga e a do espancamento do violador, que nos fazem sentir ódio, raiva e repulsa e chega a ser difícil manter o olhar fixo no ecrã, sendo que a tendência é a não querer ver, como na vida real em que preferimos fechar os olhos às dificuldades e trevas.

“Irréversible” é um filme francês de Gaspar Noé, com Monica Bellucci, Vicent Cassel e Albert Dupontel nos principais papéis.

Tenho frequentemente a tendência para gostar destes filmes estranhos, embora este não seja um filme fácil e não recomendo a quem seja mais sensível, impressionável e muito menos a quem sofra de epilepsia (receio que aquela alucinação luminosa aliada à música possa provocar convulsões nos espectadores com esta alteração neurológica). Tirando isso, se estão preparados para crueza sem filtros este filme é definitivamente para vós e deixa-nos com aquele desenfreamento reflexivo sobre tempo, o tempo que dura uma vida e a alienação da sociedade perante estes dois conceitos: tempo e vida.

[Amélie Poulain]

Coraline

“Tem cuidado com o que desejas”

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Hoje fazemos uma viagem ao mundo do cinema de animação e o filme em destaque será “Coraline” de Henry Selick, baseado no livro homónimo de Neil Gaiman.

Henry Selick é bem conhecido pelas suas animações em stop-motion, em especial pela clássica película idealizada por Tim Burton, “The Nightmare Before Christmas”. Logo aí fica bem patente o lado mais negro de Selick, cujas animações apresentam sempre algo de sinistro e este “Coraline” não é excepção.

Coraline é uma criança enérgica que reclama constantemente a atenção dos seus pais, que passam demasiado tempo a trabalhar. A mudança da família do Michigan para o Oregon deixa Coraline ainda mais sozinha, longe dos seus melhores amigos. A nova casa de Coraline é um palacete da era vitoriana que encerra muitos segredos avidamente explorados por Coraline, que também trava rapidamente conhecimento com os seus excêntricos vizinhos. A jovem menina descobre na sua nova casa uma porta secreta, escondida por detrás do papel de parede da sala e não descansa enquanto não a vê aberta, mas a desilusão é total, pois esta encontra-se bloqueada por tijolos.

Contudo, nessa mesma noite algo de extraordinário acontece. Coraline é atraída à porta por um pequeno ratinho e surpresa das surpresas esta já não está bloqueada, tem uma estranha passagem em forma de túnel, que a criança não hesita em atravessar. O que encontra do outro lado ultrapassa os limites do surreal, há um mundo paralelo, em tudo semelhante ao seu, mas muito mais divertido. Nesse universo paralelo existe uma outra mãe e pai, fisicamente iguaizinhos aos seus pais de verdade. Estes outros pais dão-lhe toda a atenção e tratam-na como se fosse realmente filha deles, só há um pormenor bizarro nestes outros pais: no lugar dos olhos têm botões…

Coraline irá, assim, viver uma emocionante, mas também assustadora aventura do outro lado da porta secreta, tendo de ultrapassar algumas provações até conseguir voltar ao seu mundo que afinal é bem mais agradável do que ela o via até aqui.

Esta animação é visualmente bastante atractiva, algo obscura, de cores berrantes e contrastantes e personagens bizarros e pessoalmente gostei bastante, pois para além de fã confessa de stop-motion, agradam-me estes imaginários negros. No entanto, apesar de ser uma película de animação poderá amedrontar algumas crianças, mais habituadas a uma animação mais ligeira e inocente.

«The Leviathan»: Uma versão sci-fi do Moby Dick com cheirinho a Dune

(O vídeo e as imagens prometem, mas será que o filme verá a luz do dia?)

The Leviathan

O teaser, imbuído de toda a imagética do género de ficção científica, mostra-nos o que parece ser uma magnífica e gigantesca criatura, parecida com uma baleia mas de aspecto hostil, que voa de forma dominadora pelos céus de um planeta desconhecido. No seu encalço, para a caçar, segue um grupo de humanos, em cima das suas naves: o desfecho não lhes será nada favorável. A cena parece retirada, tal e qual, do livro de Herman Melville, «Moby Dick», mas adaptada para um contexto futurístico. Eis «The Leviathan».

Não se trata de uma obra cinematográfica que está quase a chegar às salas de cinema, até porque nem sequer chegou à fase de produção. A ideia, por agora, mais não é do que um projecto em maturação, embora a 20th Century Fox esteja decidida em levá-la ao grande ecrã. Ruairí Robinson, o homem por trás desta nova proposta, será o realizador, cabendo a Jim Uhls – «Fight Club» (1999) – escrever o argumento. Já Simon Kinberg, produtor de filmes como «X-Men: Dia de um Futuro Esquecido» (2014) e da série de animação «Star Wars Rebels», assim como o realizador Neill Blomkamp – «Distrito 9» (2009), «Elysium» (2013) e «Chappie» (2015) – estão na calha para tornar realidade a história, enquanto produtores executivos.

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Do que escapou cá para fora, tudo indica que o filme será profundamente influenciado por duas obras maiores da literatura: «Moby Dick» e «Dune». Embora esta última história tenha chegado ao cinema pelas mãos de David Lynch, em 1984, o facto de ter ficado muito aquém das expectativas sempre deixou, junto dos fãs de ficção científica, um sabor amargo na boca. Todavia, e ao olhar para a prova de conceito que Ruairí fez (para convencer os estúdios de Hollywood), ficamos com a sensação de que se quer recuperar algumas das ideias que o realizador Alejandro Jodorowsky tentou colocar em prática há 40 anos atrás, embora sem sucesso, para a sua versão cinematográfica de «Dune»: há quem considere que, dos filmes que nunca chegaram a ser realizados, é o melhor e mais ambicioso de todos.

O vídeo, que Ruairí deixou escapar para as redes sociais, deixou muitos a salivar. A sinopse (em baixo) tem muito de déjà vu mas é sugestiva. Aguardemos pelo resto.

“No início do século XX, a humanidade colonizou muitos mundos. Viajar além da velocidade da luz tornou possível a recolha de matéria exótica, vinda de ovos das maiores espécies que a humanidade alguma vez viu. Os que participam na sua caça fazem-no, maioritariamente, de forma involuntária.”

{Morpheus}