Alguém faz o favor de o calar!?

The Gunfighter

Um narrador omnisciente cuja voz é escutada por todas as personagens da história, e o que este tem para lhes revelar, sobretudo os segredos obscuros de cada um, não irá agradar a ninguém. Será que tudo irá acabar num banho de sangue porque o narrador tem o terrível hábito de falar em demasia?

Eis a premissa de “The Gunfighter”, uma curta-metragem realizada por Eric Kissack que parodia, com um humor aguçado, o típico western. A trama começa quando um pistoleiro entra no saloon para beber o seu whisky, uma cena perfeitamente normal, mas tudo descamba quando a voz inconveniente de Nick Offerman começa a revelar as intenções de quem ali se encontra, assim como as suas taras e manias.

O filme, que pode ser aqui visto na íntegra e com legendas em português, ganhou vários prémios de melhor curta-metragem nos Estados Unidos, ao longo de 2014, graças à sua originalidade e a um humor que em muito faz lembrar “Balbúrdia no Oeste (Blazing Saddles)”, do mítico Mel Brooks.

{Morpheus}

REVIEW: Mission Impossible – Rogue Nation (Missão: Impossível – Nação Secreta)

Mission Impossible Rogue Nation - Movie Film Trailers Reviews

Mais do que as mil e uma proezas de Ethan Hunt (Tom Cruise), a verdadeira tarefa impossível deste Mission: Impossible – Rogue Nation (2015) é bem mais mundana: conseguir que um quinto filme de uma saga mantenha algo de fresco e não seja, apenas, um mascar interminável de bocejos e ‘mais do mesmo’. Convenhamos que, na história do cinema, são mais as chiclets intragáveis que os franchisings de sucesso. E, estranhamente, Rogue Nation cumpre com distinção.

Disclaimer da autora: sou daquelas seriólicas que venera a série Mission: Impossible e ouvir a frase “esta gravação vai auto-destruir-se em X segundos” traz-me à memória, inevitavelmente, Peter Graves (como Jim Phelps) e os seus reconhecíveis cabelos brancos. Posto isto, a verdade é que a saga cinematográfica, que conta já com perto de duas décadas, tornou-se um clássico – desde aquele primeiro filme de Brian de Palma, em que o intrépido Hunt descia em paralelo com o chão e agarrava, in extremis, uma gota de suor. Tom Cruise está hoje mais velho, mas garante o seu lugar de culto como o eterno Hunt – personagem que tem sabido aproveitar desde 1996. As proezas do agente, cada vez mais audazes – em Rogue Nation, Hunt pendura-se na porta de um avião, no exterior, enquanto o mesmo descola – são um bom contributo à fama ‘hollywoodesca’ do actor.

Quanto ao filme, em si, arrisca-se a ser o melhor dos blockbusters de Verão. Seguro de si, com uma história coerente, que não se perde em devaneios de perseguições e efeitos visuais que tapam o rumo do argumento. A realização de Christopher McQuarrie consegue, até, nas mais de duas horas de filme, autênticos momentos de preciosismo visual. Exemplo disso é, sem margem para dúvidas, toda a sequência da ópera de Puccini em Viena, na qual os vários personagens, acções cruzadas e paralelas, representação artística no palco da Ópera – e, porque não dizê-lo, classe – são orquestrados soberbamente, numa narração inebriante.

De resto, este Mission: Impossible – Rogue Nation tem tudo o que é esperado nos filmes da série: conspirações, plot twists, perseguições de tirar o fôlego e proezas quase impossíveis. Pelo meio, a sueca (de ascendência britânica) Rebecca Ferguson assume-se como contra-parte feminina a Hunt, que quer ser mais do que o habitual elemento bonito e objectificado da acção típica de Hollywood (por vezes consegue-o, outra vezes não). A fuga descalça da Ópera de Viena– tornada bem explícita – quase que se tornou, sem querer, um piscar de olhos bem-disposto a Jurassic World, no qual Bryce Dallas Howard escapa (com algum ‘sururu’ crítico na recepção ao filme) de um T-Rex com saltos altos.

Neste quinto filme, Hunt tem provas concretas de que o Sindicato é real e parte numa missão para desmantelar a organização criminosa. Com o organismo a que pertence, o IMF, a ser extinto a nível governamental, torna-se um agente sem âncora (praticamente sem pátria), numa corrida contra o tempo. A acção vai girando entre Viena, Londres e Casablanca, à boa maneira internacional de Missão: Impossível. A aposta, essa, parece ter sido ganha, com muitos a considerarem Rogue Nation como o segundo melhor Missão: Impossível de sempre, logo a seguir ao filme pioneiro de Brian de Palma. Concordam?

Clementine

SOFISMAS – Restless Disease

Restless
Como em toda e qualquer arte, nos filmes, o argumentista e o realizador imprime a sua visão da vida humana. Como tal, a doença pode também ser retratada sobre diversos olhares. Há o olhar que vitimiza o doente, que transforma a enfermidade num lento e penoso caminho, um olhar que dói. Há o olhar que tenta mostrar o outro lado, o da esperança e positividade, não uma sucessão de tristezas mas uma vida, como as demais, pontuada por momentos menos bons. A doença terminal (ou o cancro, nos casos que se seguem) não precisam de definir uma vida na totalidade.

Apenas há pouco tempo vi o “The Fault In Our Stars” venho com algum atraso, eu sei, todavia nunca me pareceu o meu tipo de filme. Continua sem o ser, contudo relembrou-me de um outro do Gus Van Sant: “Restless”. Em ambos os filmes o cancro é retratado em jovens com força de vontade, que não lhe dão tréguas e que mostram que mesmo na doença é possível ambicionar viver na normalidade.

Um luta incansável, numa vida em contagem decrescente e com prazo limite, numa idade sem limites em que a “morte” não é por norma um pensamento recorrente. Nestes dois casos cinematográficos ela aparece nas conversas mais triviais de um jeito natural. Uma luta contra uma doença que não se cansa e não dá tréguas e que consome física e psicologicamente, mas feita com a ironia e o espírito indomável característico de jovens. São dois romances entre dois pares em que o romance e a morte andam de mãos dadas, não num conceito trágico como o de “Romeu ou Julieta” mas sim plenos de ternura! A esperança e a felicidade nos “pequenos infinitos” que lhes foram destinados.

“Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus” (2006)

Nicole

“Fur”, tal como o seu subtítulo indica, é um retrato imaginário ao qual Steven Shainberg decidiu dar corpo para nos falar sobre uma das fotógrafas americanas mais marcantes, Diane Arbus.

Claro que antes de ver o filme a primeira curiosidade foi perceber quem foi esta mulher aqui retratada e cujo trabalho eu nada conhecia. Com uma rápida pesquisa na internet foi fácil entender que Diane não foi uma mulher, nem uma fotógrafa comum. Oriunda de uma família abastada e de um mundo a roçar o perfeito, Diane foi curiosa, quis mais da vida e dedicou muito do seu tempo ao que a sociedade desprezava, sendo que a maioria das suas fotos retratam os desvios da sociedade e todos aqueles que por ela são marginalizados. Os chamados “freaks”, artistas de circo, pessoas com deficiência física ou mental e transsexuais são os objectos frequentes da sua objectiva e se procurarem pelo trabalho fotográfico dela é espantoso como ela do feio ou grotesco faz belo, numa perspectiva curiosa da vida e das pessoas. Obviamente que a vida de alguém com uma visão tão especial do mundo não foi fácil e Diane sofreu com depressões sucessivas, agravadas também por outros problemas de saúde (hepatite), acabando mesmo por se suicidar.

No filme é esta mulher que vemos representada por Nicole Kidman, na pele de uma Diane jovem mãe de família e esposa dedicada que trabalha em parceria com o seu marido no mundo da fotografia de moda, onde tudo é belo e manipulado para alcançar ideais de perfeição.  Rapidamente Diane fica entediada e frustrada com esta sua vida perfeita, começando inclusive a ter repercussões físicas deste desgaste psicológico a que está sujeita. É, então, que chega à vizinhança um homem misterioso, Lionel (Robert Downey Jr.), que sofre de uma doença rara, hipertricose, que faz com que o seu corpo esteja completamente coberto de pêlo. Intrigada Diane procura este novo vizinho, com a desculpa de o fotografar e tirando este estranho aspecto físico Lionel apresenta-se como um cavalheiro bastante cortês que leva Diane a conhecer um novo mundo, povoado por estranhas personagens, todas elas marginalizadas da sociedade, tal como o próprio Lionel. Claro está que esta amizade rapidamente evolui para algo mais, uma cumplicidade deliciosa, e Diane fica cada vez mais submersa neste fascinante mundo novo, alheando-se da própria família. Diane e Lionel tornam-se mais próximos a cada dia que passa, mas a tosse persistente de Lionel e a sua crescente dificuldade respiratória fazem prever que algo não está bem. O fim é algo trágico, mas marca o início da vida independente de Diane a fazer aquilo que realmente a preenche, a desprender-se de tudo e captar com a sua objectiva o que a fascina, numa visão diferente e especial do mundo.

Segundo muitas críticas o filme foi uma desilusão e acredito que quem conheça bem o trabalho da fotógrafa esperasse algo mais cru e não tão romanceado. Contudo, consigo perceber a opção cinematográfica em que Diane amou Lionel com pureza, a metáfora para aquilo que a Diane da vida real amou, ou seja, a diferença, onde sempre viu beleza.

Curiosos? Então nada melhor do que mergulhar neste “Fur” e claro está que é indispensável que antes ou depois deste mergulho pesquisem também a vida e obra de Diane Arbus, porque é realmente surpreendente e interessante.

[Amélie Poulain]

“Horns” (2014)

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“Horns” (2014) é um filme de Alexandre Aja baseado no livro com o mesmo nome do escritor de literatura de terror Joe Hill, filho de Stephen King.

Na altura em que saiu o trailer do filme a minha curiosidade foi imediata, primeiro pelo Daniel Radcliffe nesta sua continuação de “carreira adulta”, e depois por ser baseado numa obra de Joe Hill, de quem já tinha lido um título e adorei, pois o autor possui uma escrita hipnótica e mais cuidada que a do pai, sempre dedicada aos temas tenebrosos e sobrenaturais.

Este “Horns” não é excepção no que ao sobrenatural diz respeito, não deixando ainda assim de ser mundano. Amor, amizade, fidelidade, traição, raiva e vingança são temas absolutamente mundanos aqui expostos. Pessoas comuns com paixões e ódios, umas puras, outras com vícios, outras manipuladoras, outras com segredos, outras perdidas na vida, outras felizes.

Até aqui tudo normal, mas este “Horns” leva toda esta normalidade a um patamar sobrenatural em que Ig Perrish (Daniel Radcliffe) sofre a maior perda da sua vida, pois a sua namorada é assassinada e ainda tem de viver com o peso de uma acusação desse mesmo homicídio. Nesta espiral de desgraça algo inusitado acontece e Ig acorda uma manhã com um par de chifres a nascerem-lhe na testa. Estes chifres revelam-se poderosos e uma espécie de benção, pois desde o aparecimento dos mesmos todos os que se encontram perante Ig lhe fazem confissões inesperadas, o que o ajudará a identificar o verdadeiro culpado pelo homicídio. Descoberta a verdade, a raiva e a vingança apoderam-se de Ig, o que o leva a perder-se para sempre.

Esta é uma história fantástica que reflecte sobre os pecados e defeitos humanos, num filme que se revela bastante interessante e o qual recomendo a fãs deste género mais fantástico.

[Amélie Poulain]

“Less Than Zero” (1987)

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Como fã confessa de Robert Downey Jr. não resisto a revisitar regularmente a filmografia do actor, pelo que revi recentemente este “Less Than Zero” de Marek Kanievska .

Tinha visto este filme pela primeira vez já há uns anos largos e não guardava memórias muito concretas, pelo que esta revisita me surpreendeu bastante.

O filme baseia-se no livro com título homónimo de Bret Easton Ellis, o qual nunca li mas fiquei com curiosidade de ler. Contudo, segundo algumas reviews do filme que li, a história do livro não está próxima do que o filme nos trás.

O filme conta a história de três jovens, Clay (Andrew McCarthy), Blair (Jami Gertz) e Julian (Robert Downey Jr.), cheios de vida e sonhos, que terminam o secundário e acabam por seguir caminhos um pouco diferentes. Clay sai da Califórnia para prosseguir os estudos, mas Blair e Julian ficam, cada um com as suas aspirações, entrando rapidamente numa espiral fútil e degradante representativa da vida de muitos jovens abastados da região.

Julian, cujo pai sempre o mimou e lhe proporcionou todas as oportunidades sem dispensar muito tempo à sua educação propriamente dita, deixa-se enredar numa viagem sem retorno ao mundo das drogas. A viagem é penosa e devastante para Julian e todos os que o rodeiam. Julian percebe que se está a afundar, os seus melhores amigos tentam impotentemente ajudá-lo.

Outra peça fundamental do enredo é Rip (James Spader), o dealer e antigo colega dos três amigos, que joga a bel-prazer com a dependência de Julian. O final é o inevitável, o vício a suplantar a vida e o livre arbítrio.

O filme em si é algo monótono, a história é um pouco cliché e a acção desenrola-se de uma forma lenta e premeditada. Na minha opinião aproxima-se mais de um filme documental sobre a juventude californiana da classe alta, num retrato assustadoramente palpável e humano sobre dependências. A banda sonora, que “respira” anos 80 a cada poro enquadra-se no filme e época, mas chega a ser cansativa, toldando-nos um pouco a mente em relação ao que estamos a ver.

Contudo, como fã do Robert é arrepiante ver a prestação demasiado realista do actor, encarnando aquilo em que se tornaria anos depois, um viciado, absolutamente perdido para a vida. Confesso que me custou particularmente assistir à cena em que Julian está gravemente afectado pela abstinência de cocaína, por ser realista e pela questão do historial do actor. Felizmente, Robert Downey Jr. reescreveu a sua história e conquistou um final bem diferente do da sua personagem.

Nota, ainda, para enorme surpresa ao rever o filme e deparar-me com James Spader, que me habituei a ver na série televisiva “The Blacklist”, aqui tão jovem, mas já com uma carga fria e calculista extremamente refinada.

[Amélie Poulain]

“Minions” (2015)

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Hoje viajamos até ao mundo da animação, com a mais recente estreia de “Minions”, os pequenos bonequinhos amarelos já bem conhecidos do público.

Quando estreou a película animada “Despicable Me”, os seus pequenos ajudantes amarelos foram imediatamente um sucesso entre miúdos e graúdos, dando agora a origem a uma prequela, em que os reis da festa são esses pequenotes.

“Minions” é uma produção Illumination Entertainment para a Universal Pictures e conta com animação digital 3D numa comédia irresistível para toda a família.

Nesta película acompanhamos a existência de uma tribo de Minions desde tempos ancestrais e estes sempre tiveram um propósito de vida bem definido, encontrar um mestre maléfico a quem servir. Os Minions estiveram presentes em diversos momentos da história do Mundo, sempre em busca, do mais maléfico dos homens a quem servir e encontravam, mas nunca havia um final feliz, pois estes pequenotes são mesmo desastrados. As engraçadas criaturinhas acabam isoladas do mundo, sem um mauzão a quem servir e nos primeiros tempos até encontram alternativas com que se entreter, mas com o passar dos anos a falta de um mestre deprime-os.

É, então, que um deles, Kevin, decide partir pelo Mundo em busca de novo mestre. Toda a tribo o apoia, mas não há voluntários para se juntarem a esta demanda. Depois de alguma insistência é reunida uma equipa para partir: Kevin, o autor da ideia; Stuart, um Minion músico e Bob, que apenas foi escolhido por não conseguirem mais nenhum voluntário. Os três partem à aventura e descobrem uma super-vilã terrível a quem servir, Scarlett Overkill, mas mais uma vez as coisas não vão correr como esperavam…

Este é um filme que faz mesmo as delícias da família inteira, o qual recomendo vivamente para uma tarde de fim-de-semana bem passada, com momentos de gargalhadas genuínas, num enredo muito bem conseguido.

A versão portuguesa conta com a voz de nomes bem conhecidos da nossa praça como: Soraia Chaves, Vanda Miranda, Vasco Palmeirim e Herman José, entre outros.

[Amélie Poulain]

“Strangerland” (2015)

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“Strangerland” é uma co-produção australiana e irlandesa da responsabilidade de Kim Farrant, que assim se estreia em longas-metragens e tal como o nome indica é de facto um território estranho. Esta película dramática, estreada no Festival Sundance 2015, conta com um casting aliciante, com Nicole Kidman, Joseph Fiennes e Hugo Weaving, mas perde-se um pouco ao longo da acção que até prometia bastante no início do filme.

Nicole Kidman e Joseph Fiennes dão corpo a um casal (Catherine e Matthew Parker) que se mudam com os seus dois filhos para uma localidade remota no deserto australiano com a intenção de se afastarem de alguns problemas e fantasmas passados e poder recomeçar as suas vidas. No início é claro que estamos perante uma família profundamente magoada e desestruturada, embora não nos sejam revelados os pormenores que os atormentam, que apenas começam a surgir ao espectador após o acontecimento fulcral do filme, o desaparecimento dos dois filhos do casal. Com o desaparecimento são iniciadas buscas policiais e entra em cena o polícia David Rae, interpretado por Hugo Weaving, que ajuda a desvendar o negro passado destas pessoas.

Ao longo da acção as problemáticas abordadas são várias, todas elas ligadas a uma sexualidade disfuncional e mal resolvida. A jovem filha desaparecida, Lily, encontra-se num período de desenfreada descoberta de si mesma, não encontrando limites ou explicações para o que sente, fruto talvez de um fraco acompanhamento parental, visto aquela ser uma família em ruínas. Contudo, essas ruínas são elas mesmas resultado das suas experiências, mal vivenciadas e geridas por uns pais em ruptura.

Este é um filme dramático, de intensas interpretações, muito psicológico e humano, mas a certa altura é introduzida na narrativa algum misticismo, aludindo a criaturas mitológicas, numa referência tão breve e mal explicada que se torna excedentária ao desenvolvimento do argumento. Existem várias pontas soltas em toda a história e o final é aberto, talvez até em demasia para o que se esperava de um drama deste tipo. Eu tenho a minha teoria, que a minha imaginação me permitiu, mas prefiro não revelar e desafiar a quem já viu o filme a partilhar os seus finais.

[Amélie Poulain]

 

 

“Ted 2”

Ted

Verão é sinónimo de “filmes pipoca” cujo principal objectivo é entreter e “Ted 2” não é excepção a esta regra.

“Ted 2” conta com argumento e realização do humorista Seth MacFarlane, à semelhança do primeiro filme da saga, sendo que Seth é também a voz do adorável, mas muito despropositado ursinho Ted.

Neste filme o ursinho Ted casa com a sua namorada Tami-Lynn, que ficámos a conhecer do primeiro filme e após alguns meses de casamento a relação dos dois entra em crise. Para serenar a crise este atípico casal decide ter um filho, situação que só poderia ser conseguida por inseminação artificial, visto que Ted é um urso de peluche. Depois de várias peripécias relativas à escolha do dador de sémen para a inseminação, Tami-Lynn, esposa de Ted, descobre que não pode ter filhos e uma nova demanda por uma adopção é iniciada. Contudo, não só a adopção é recusada, por Ted não ser humano, como se inicia uma verdadeira avalanche de acontecimentos negros para Ted, pois o governo americano não o reconhece como pessoa, embora ele comunique e tenha sentimentos, não passa de um urso de peluche, com um historial de vida duvidoso e um cadastro assinalável. Para resolver o seu problema legal com o governo, Ted decide processar o estado, recorrendo a uma jovem advogada interpretada por Amanda Seyfried. Durante todas as aventuras e desventuras deste ursinho ele é sempre acompanhado pelo seu inseparável amigo John (Mark Wahlberg) e no fim será apenas um bem ou um cidadão americano? Terão de ver para descobrir.

“Ted 2” é um realmente só isso, um “filme pipoca”, capaz de arrancar uma ou outra boa gargalhada, indicado para ver com amigos numa ociosa noite de Verão. O destaque no que a gargalhadas diz respeito vai para uma cena de luta “geek” que ocorre na Comic-Com entre diferentes cosplayers, a cena de luta mais hilariante que já vi.

[Amélie Poulain]

Crítica: “Divertida-Mente” (“Inside Out”)

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Já imaginaste como seriam essas vozes na tua cabeça se tivessem forma, um corpo? “Inside Out” (“Divertida-Mente”, em Portugal) traz esse conceito ao grande ecrã com mestria, tornando este um dos filmes mais ambiciosos da Disney e da Pixar, quiçá “o” mais ambicioso.

Essas vozes que nos dizem o que fazer e o que sentir são os grandes protagonistas da história, as emoções. Adequadamente denominados Medo, Raiva, Repulsa, Tristeza e Alegria (a líder do grupo), estas vozes estão na cabeça de Riley, um pequena menina que vive feliz, com os seus pais, mas sofre uma drástica alteração na sua vida, quando a família se muda da sua casa, em Minnesota, para São Francisco.

O primeiro acto do filme é perfeitamente eficaz, apresentando-nos Riley, a família e as emoções de uma forma simplista e extremamente inteligente. Uma das maiores forças de “Inside Out” é o seu conceito e a capacidade de o transmitir para o público de uma forma simples e, simultaneamente, inovadora. Mas o filme, realizado por Peter Docter (de “Up – Altamente”), faz mais do que mostrar-nos coisas que já sabemos: ele torna coisas abstractas – como memórias e instintos – em momentos, formas e cores que, não só são visualmente arrebatadores, como também verdadeiros estimuladores intelectuais. Como o próprio título nos diz, trata-se de tornar o que é dado como complexo (a nossa mente) em algo simples e belo.

Por essa razão e, obviamente, pelo entretenimento que esta história muito bem contada propõe, “Inside Out” vai deliciar, sem sombra de dúvida, os mais pequenos. Aos graúdos, deliciar é uma palavra menos adequada. O efeito do filme é bem maior sobre aqueles que já viveram bem mais do que 10 anos. Não chegando perto de ser tão triste como os primeiros minutos de “Up”, esta nova aposta da Pixar trata temas fortes e com os quais todos nos identificamos de uma forma madura e delicada. Este é o seu maior trunfo.

“Inside Out” é um filme a não perder!

Nota: 10/10

◉ HAL 9000 ◉