Sessão Com a Presença do Realizador Manuel Mozos

Mise

Na terça-feira da passada semana, dia 28 de Junho, esteve novamente em Tomar, a convite do CineClube de Tomar, o realizador Manuel Mozos, numa sessão em que foram exibidos três dos seus trabalhos.

“Cinzas e Brasas” (2015), uma curta de ficção filmada na aldeia dos Montes, concelho de Tomar, abriu as hostilidades e trouxe-nos uma história crua de uma vida marcada pelo alcançar de objectivos, pelo sucesso, que no fim não mais trouxe do que solidão, frieza e uma sobrevivência premente. É a história de Dulce, interpretada por Ana Ribeiro, na sua versão mais jovem e Isabel Ruth, na idade madura, uma escritora famosa para quem a vida foi um conquistar de metas, mas viveu esta mulher realmente, foi feliz? Não, e a Dulce madura é uma mulher marcada pela vida e solidão, a quem reaparece um homem do passado. E é entre cinzas e brasas que tudo culmina…

A segunda curta-metragem exibida, “A Glória de Fazer Cinema em Portugal” (2015), foi um projecto desenvolvido a convite para integrar o Festival de Curtas de Vila do Conde, o mote é que teria de estar relacionada com a localidade. A partir daí Manuel Mozos constrói uma história divertida e empolgante baseada numa carta real de José Régio, em que este demonstra o desejo de fazer experiências cinematográficas e expandir “a glória de fazer cinema em Portugal”. A carta é real, mas a investigação feita pelo realizador e pelos outros membros envolvidos na curta, incluindo alunos da Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo do Porto, que colaboraram com o projecto, levou a um beco sem saída. Deste modo, estamos perante uma história de ficção, genialmente bem arquitectada. Destaque, ainda, para o trabalho desenvolvido em película, que deu um realismo à história que nos trouxe personagens e paisagens de outros tempos, consumando uma nostalgia pelo cinema de antanho.

Por fim, foi exibido “Ruínas” (2009) uma hora de pura inquietação, de uma beleza quase macabra. Escombros, ruínas, lugares fantasmas de norte a sul de Portugal. Um filme minimalista, de planos simples, etéreos, de tempo que estancou e não mais corre. O som de fundo é a natureza envolvente, os carros que passam ou o silêncio natural de onde nada existe, acompanhado pela narração do que marcou o local, dos menus dos restaurantes, dos quadros de pessoal de locais de trabalho, dos relatórios clínicos dos doentes de um sanatório. Um retrato simples, mas com uma força extraordinária, que não pretende de forma nenhuma ser saudosista ou derrotista, mas sim uma passagem pelo que foi, pelo que marcou e representou, sem preconceitos ou pesos excessivos.

No final, Manuel Mozos manifestou-se solicito e muito disponível para responder a questões dos espectadores presentes que se mostraram interessados e dinâmicos, dando origem a uma agradável conversa que permitiu saber mais sobre a história por detrás da história de cada um daqueles filmes.

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