Olhares do Mediterrâneo: uma terceira edição com “Travessias”

Arranca amanhã, em Lisboa, o festival de cinema centrado na bacia mediterrânica pela lente de mulheres realizadoras. Ao longo dos quatros dias de programação, há 33 filmes em agenda, mas também outras atividades paralelas que ajudam a ver o Mediterrâneo sob outro olhar.

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Kusursuzlar, 2013

O cinema São Jorge, em Lisboa, volta a ser palco de perspetivas cinematográficas da bacia mediterrânica, pela visão de mulheres cineastas, em mais uma edição do Olhares do Mediterrâneo – Cinema no Feminino. A decorrer entre 29 de setembro (quinta-feira) e 2 de outubro (domingo), esta terceira edição do festival de cinema conta com mais um dia de programação e com o ciclo especial “Travessias”, dedicado ao drama dos refugiados.CARTAZ OLHARES 2016_A4.jpg

“Somos um festival de cinema, mas somos igualmente um festival multidisciplinar que oferece várias opções de escolha a quem nos visita”, enfatizam Antónia Lima e Sara David Lopes, fundadoras do Olhares do Mediterrâneo, à Última Sessão. Para ilustrar esta diversidade e “riqueza por fruto de olhares”, a programação cinematográfica convive, por exemplo, com um mercado de livros, artesanato e sabores, com concertos do Coro Feminino de Lisboa e da cantora Ana Barroso, com um ateliê de cinema e até com uma cerimónia de chá, promovida pela Embaixada de Marrocos.

A componente multidisciplinar é uma das imagens de marca do festival, lançado a 2014. Mas é dos (bons) filmes que se cria a estrutura basilar do Olhares do Mediterrâneo. A inspiração surgiu de França, com o festival Films Femmes Mediterranée, e ganhou espaço próprio em Portugal, numa co-produção entre o Grupo Olhares do Mediterrâneo e o CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia.

Ao longo dos quatro dias de festival, há nove longas-metragens e 24 curtas para ver, “de géneros cinematográficos distintos, para todos os gostos e faixas etárias”, contam as fundadoras do festival. As produções partilham, no entanto, o mesmo critério fundamental: “os filmes devem ser oriundos de países da Bacia do Mediterrâneo, de mulheres realizadores”. Não obstante, para esta edição, o critério de seleção foi mais alargado, explicam Antónia Silva e Sara David Lopes: “este ano, pareceu-nos importante alargar a visibilidade deste cinema de mulheres à equipa criativa; isso levou a que, mesmo que em menor escala, aceitássemos filmes feitos por homens, desde que tivessem sido produzidos por mulheres”.

Anote na agenda: destaques da programação

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Exotica, Erotica, Etc, 2015

Entre a programação deste ano do Olhares do Mediterrâneo, o destaque vai para o ciclo especial “Travessias”, dedicado aos refugiados e migrações forçadas. A secção inclui oito filmes, quatro debates, acolhimento da organização não-governamental SOS Méditerranée France e a exposição fotográfica “Olhares que nos habitam?”, construída através do olhar de um grupo de mulheres refugiadas, residentes em Portugal. Os filmes do ciclo especial estarão em competição pelo prémio “Travessias”, num patrocínio do Pelouro dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa.

A secção materializa “uma preocupação e um interesse que tem estado patente desde a 1ª edição do Festival, tanto em filmes, como em debates”, explicam as responsáveis, vincando que a “iniciativa pretende chamar a atenção para a importância e a urgência de nos posicionarmos como parte de uma futura solução para este problema”.

“Exotica, Erotica, Etc” é o filme que marca a abertura do festival, a 29 de setembro. Da autoria de Evangelia Kranioti, este documentário apresenta a vida de marinheiros em alto mar e dos seus encontros amorosos fortuitos em terra, numa produção que implicou nove anos, 20 viagens em alto mar e 450 horas de filmagem. Na bagagem, o filme leva já o Prémio Revelação Realização Internacional 2015 do Hot Docs Toronto (Canadá), o Prémio do Público para Melhor Documentário 2016 do Film de Femmes de Créteil (França) e o Prémio Longa Documental Europeia 2016 no DocuTiff de Tirana (Albânia), entre outros galardões e palmarés.

Na sexta-feira, dia 30 de setembro, o documentário italiano “Luoghi Comuni”, de Angelo Loy, tem a sua estreia nacional, inserido no ciclo “Travessias”. O filme retrata os problemas de uma mulher egípcia, imigrante em Roma, no que concerne à integração cultural, habitação e dinheiro.

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Luoghi Comuni, 2015

“Onde estão todas as pessoas que partiram e nunca chegaram?”. A inquietação serve de ponto de partida de “Les Messagers”, documentário francês que segue a rota de esperança e desespero entre o deserto do Sahara e a espanhola Meliha. Hélène Crouzillat e Laetitia Tura assumem a realização deste filme sobre a migração africana para a Europa, focando a lente nos que tombam pelo caminho. Inserido também no ciclo “Travessias”, o documentário tem exibição marcada no festival para dia 1 de outubro.

Para o encerramento, no dia 2 de outubro, a programação conta com o turco “Kusursuzlar”, uma longa-metragem de ficção de Ramin Matin que recebeu, em 2014, o Prémio de Melhor Filme no International Film Festival da Roménia. Ambas as sessões de abertura e encerramento são de entrada livre, mediante levantamento de bilhete.

Por fim, para centrar o olhar nos olhares de quem realiza, várias realizadoras estarão presentes no festival. É o caso, entre outras, de Isabel Fernández, jornalista espanhola e autora do documentário “Corredors de Fons”, que será exibido (e debatido) a 29 de setembro, mas também de Rosa Rogers e Merième Addou, autoras de “Pirates of Salé”. Este documentário, em estreia nacional, pode ser visto no dia 1 de outubro e mostra como Salé (Marrocos) passou de antiga cidade-bastião de piratas a local da Escola Nacional de Circo.

À procura das vencedoras

Antes da sessão de encerramento, no domingo, é o momento de desvendar as produções vencedoras desta edição do Olhares do Mediterrâneo. Além do Prémio “Travessias”, o festival atribui um Prémio de Melhor Longa-Metragem e um Prémio de Melhor Curta-Metragem, decidido pelo júri (este ano composto por Rita Blanco, Adriano Smaldone e Tomás Baltazar). Os espetadores presentes na sessão terão oportunidade de votar no melhor filme para Prémio do Público.

Site oficial: http://www.olharesdomediterraneo.org/

Clementine

 

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