Cinema Ambiental: “Wind”

Será que vivermos num mundo de poluição é assim tão irreversível e sem alternativas? Ou estamos demasiado adaptados para pensar “fora da caixa”? A propósito destas questões, vejam a curta-metragem “Wind” – uma alegoria brilhante aos dias de hoje. A autoria é de Robert Löbel.

Clementine

The Prestige (2006) ou como transformar a vingança no melhor truque de sempre

1525188_1540163129551791_8040264411800179322_n

Dois mágicos, uma ilusão. A melhor ilusão de sempre. Alfred Borden e Robert Angier estão sempre demasiado próximos, mas nunca o suficiente. Mais do que uma rivalidade, aquilo que os une é uma obsessão, uma sequência de vinganças sucessivas que se transforma num ciclo vicioso. E viciante. Todo o filme é a criação e destruição de génios e genialidades que parecem sempre roubar o espaço e protagonismo que o outro considera seu por direito. Não é uma questão de se superar a si próprio, é uma questão de superar o outro. Quase uma questão de justiça ou, quando esta deixa de se justificar, de honra.

Baseado na obra de 1995 de Christopher Priest, The Prestige é, do início ao fim, o culminar de tudo aquilo que Christopher e Jonathan Nolan têm vindo a realizar ao longo dos anos: o nascimento de uma obra de arte – uma obra para ser recordada. Não é fácil corresponder às expectativas de um livro, pois facilmente nos lembramos de autênticos fracassos – não é o caso. Com um elenco de luxo que conta com talentos mais que justificados (como Christian Bale, Hugh Jackman ou Michael Caine), marcos como David Bowie e uma dinâmica musical, artística, visual e de argumento; este filme é de uma qualidade acima da média e prende-nos nos seus cruzamentos e contratempos até ao final.

Qual o herói? Qual o vilão? Dificilmente saberemos. Ambos têm dois lados, como uma moeda ou uma espada. Não são personagens lineares e muito menos comuns. Parecem sair do ecrã, lentamente, até nós fazermos parte da história. Ali estamos, na audiência, ansiando um número extravagante, diferente, impossível. Nós exigimos mais, eles dão-nos mais. Nós achamos que saciámos a sede insaciável e eles dão-nos ainda mais: dão-nos algo em que acreditar. Todos temos sonhos, eles estão à nossa espera. Assim como este filme. Play.

«Now you’re looking for the secret. But you won’t find it because of course, you’re not really looking. You don’t really want to work it out. You want to be fooled».

(NOTA: escrito e publicado pela primeira vez em 2011)

[Sophie Kowalsky]

Ovo de Colombo: Cidade-gente

sny04“Sinédoque, Nova Iorque” (Synecdoche, New York, 2008) é uma pedra preciosa entre os filmes feitos nos últimos dez anos no cinema norte-americano. Em primeiro lugar, Charlie Kaufman, famoso e premiado pelos seus argumentos – “Eternal Sunshine of The Spotless Mind” (2004) valeu-lhe o Óscar –, passa para trás das câmaras e traz, no papel de realizador, o seu próprio imaginário a três dimensões. Na produção está Spike Jonze, também bastante inovador no que diz respeito à realização e do qual falámos na minha última crónica neste espaço.

Com a saúde e a vida pessoal em queda, Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman) investe num armazém e naquela que seria a peça da sua vida: mas leva esta ambição mais longe e acaba por recriar o seu passado/presente, que se desconstrói depois em diversos fragmentos. A simbologia e os maneirismos criativos a que Kaufman nos habituou regressam neste apaixonante “Sinédoque, Nova Iorque” (2008), com a discussão do individualismo e da capacidade de o ser humano entender a sua posição na sociedade a pautarem o ritmo de uma obra tendencialmente lenta. Mas não só.

f7d5c68881575011dc2eb84b88f229b2São várias as camadas, perceções e ilusões que fomentam a realidade de Caden, que é transitória e que vai muito para além do tempo e da sociedade com que habitualmente nos “medimos”. Esta efemeridade conceptual e humana é contraposta por uma acentuada crítica social, que vai desde a deformação do corpo à construção de um modelo da cidade de Nova Iorque, com barreiras, ruídos e dramas que recriam a incapacidade de, tantas vezes, nos apercebermos do que se passa à nossa volta (e até connosco). Todo o filme é uma ode à criatividade, às relações interpessoais e à cidade de Nova Iorque, sendo que as interpretações dos significados presentes são variadas e nada consensuais.

Os pequenos pormenores, as confusões e a teatralização do quotidiano intensificam-se e intensificam a ação e, caso revejam o filme, este vai despertar novos entendimentos. Se no início os “pormenores” passam despercebidos, com o tempo ficamos em alerta para essa dimensão fílmica, que vai sendo mais frequente com o decorrer da ação: o que é dito, o que acontece e o que se espera rompe todas as barreiras “tradicionais”. Esta espécie de porta – que fica em aberto – é uma “inquietação” já conhecida por quem costuma ver os argumentos de Charlie Kaufman que, com tanta facilidade, saem da tela e embrenham nas nossas vidas.

Sara Quelhas

Publicado originalmente em O INTERIOR

[DINNER AT TIFFANY’S – FRANCES HA]#13

10013625_1531598693741568_3207651518022326456_n

O DINNER AT TIFFANY’S está de volta. A mesa está posta, o convite está feito e o filme escolhido para saborear neste regresso é Frances Ha (2012). Venham daí.

ENTRADA
Frances é feliz, à sua maneira. Apesar das dificuldades económicas e das tradicionais dúvidas existenciais, a jovem consegue ultrapassar os desafios diários ao lado da melhor amiga. Partilham casa, sonhos e a mesma loucura saudável que as ajuda a enfrentar cada nova desilusão. Dançam pelas ruas e exageram em tudo, sem que mais ninguém, aparentemente, seja capaz de partilhar o mesmo entusiasmo. De tal forma habituada a esta rotina, a dançarina nem quer pensar na possibilidade de mudar aquilo que, para ela, se tornou a sua casa e a sua realidade. Contudo, nada dura para sempre.

PRATO PRINCIPAL
A preto e branco e com ritmo algo lento, Frances Ha (2012) primeiro estranha-se e depois entranha-se. Os dilemas e os percalços que preenchem a tela são os mesmos que, muitas vezes, também preenchem os nossos dias. A solidão, o vazio ou o medo de falhar são sensações próprias do nosso quotidiano (muitas vezes), assim como um desafio e uma leitura da nossa capacidade de lidar com a mudança.
Num filme que prima pelo silêncio, os diálogos representam um papel fundamental. Nada é dito por acaso, não há tempo perdido. Todos os acontecimentos, frases e danças de Frances nos levam a algum lado, mais cedo ou mais tarde. A sua dor é partilhada connosco quase em confidência, o que nos leva a torcer por ela e a muitas vezes a querer “abaná-la” para, assim, fazê-la perceber o mais depressa possível que tem de reagir ao que se vai passando à sua volta.
Pelo meio das gotas de chuva e problemas, Frances vai dançando, reclamando para si o lugar no mundo com que sonhou. Quando o seu dia-a-dia muda contra a sua vontade, as peças vão caindo e a jovem se deixa afectar pelos problemas profissionais e pessoais, a acção leva-nos para onde menos esperávamos. Viajamos, ouvimos, sentimos e percebemos a insegurança de Frances que, só no regresso às suas origens e ao contacto com os seus medos, dá sinais de ser capaz de ambicionar algo mais. E de perceber, também ela, que merece algo mais… e de que está nas suas mãos lutar por isso.

Sobremesa: alguém pegue na Greta Gerwig e lhe dê uma oportunidade que se veja, por favor (quem não conhecer, não perca a interpretação dela com os Arcade Fire, em directo: http://youtu.be/tBTTd0gfkn0).

Conta: nem sempre sou adepta dos filmes a preto e branco perante as possibilidades dos nossos dias. Neste caso, não se justifica, nem o filme ganha com esta escolha, na minha opinião. Além disso, o ritmo pausado pede um atrativo extra, que neste caso poderia ser alcançado com a cor.

Ficha Técnica

Título Original: Frances Ha
Ano: 2012
Realizador: Noah Baumbach
Actores: Greta Gerwig, Mickey Sumner, Michael Esper, Adam Driver, Michael Zegen, Grace Gummer

*Dinner at Tiffany’s, todos os domingos às 23 horas*

[Sophie Kowalsky]

Harry Potter e os Talismãs da Morte – Parte 2

10635884_1531484313753006_1519101082278888428_n

Dez anos depois de ter estreado o primeiro filme da saga Harry Potter, catapultando-o para o sucesso mundial e fazendo com que quase todas as pessoas ficassem a conhecer a identidade deste jovem feiticeiro, chega então o capítulo final desta história do Bem contra o Mal e sobre o poder do amor e amizade num mundo de feiticeiros, e uma das estreias mais aguardadas de sempre na história do cinema.

Como referido anteriormente, o último livro da saga fora dividido em dois filmes, sendo esta segunda parte relacionada quase toda com o clímax da história do livro (e dos livros em geral). Enquanto que a primeira parte foi mais calma e instrospetiva e que se preparava para o que vinha a seguir, a segunda parte é basicamente a batalha final entre as duas forças antagónicas, onde todas as personagens estão em risco e onde tudo é resolvido. Sendo um filme com muita ação e equilibrado por várias cenas dramáticas, torna-o o meu filme favorito da saga. Quase tudo é perfeito, dos atores (todos voltam para um adeus conjunto) à parte técnica, e a única parte negativa foi o filme não ter tido uma maior duração (é o filme mais pequeno da saga). O filme teve as melhores críticas de entre os oito filmes, e foi um dos que teve melhores críticas do ano de 2011. Foi nomeado para três Óscares da Academia (Efeitos Especiais, Direção Artística e Maquilhagem) e foi o primeiro filme do Harry Potter a ultrapassar a barreira dos mil milhões de euros nas bilheteiras (sendo o primeiro – e último – filme da saga a ser convertido para 3D, tal facto deve ter ajudado para o aumento da receita do filme em comparação com os outros).

E assim chegava ao fim uma grande parte da minha infância e início da vida adulta, e no entanto não terminara verdadeiramente. Com a notícia de que uma nova trilogia de filmes viria a caminho, os fãs entraram em delírio. A história vai ser baseada no “autor” de um dos livros que J.K. Rowling escreveu paralelamente aos da saga Harry Potter (mas que pertence ao mesmo mundo), “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los”, que está a ser escrito pela própria autora e vai ser realizado por David Yates. O primeiro vai estrear em 2016.

*Harry Potter*

Trailer: “John Wick”

Nesta semana, a Summit Enterteinment divulgou o primeiro trailer do longa de ação “John Wick”, estrelado pelo ator Keanu Reeves (“47 Ronins”).

No filme, o ex-assassino contratado, John Wick (Reeves) é forçado a voltar à ação quando um jovem e sádico criminoso aparece na sua vida. John usa então todas as habilidades e vai até as últimas consequências para se vingar.

“John Wick” é dirigido por Chad Stahelski, que faz sua estreia como cineasta depois de trabalhar como coordenador de dublês em filmes como “The Hunger Games: Catching Fire”, “300”, “V for Vendetta” e “The Wolverine”.

O filme será lançado dia 24 de outubro nos EUA

[Edward Daniels]